SÉRIE: PERGUNTAS IMPORTANTES - DEUS EXISTE ? - PARTE 29

É errado questionar a Deus?

É errado ter raiva de Deus?

O problema aqui não é se devemos questionar a Deus ou não, mas sim como – e por qual razão – nós O questionamos. Questionar a Deus não é errado em si mesmo.

O profeta Habacuque fez perguntas a Deus sobre o momento e a ação do Seu plano. Habacuque, ao invés de ser repreendido por suas perguntas, recebeu respostas de um Senhor paciente e o profeta termina o seu livro com uma canção de louvor a Deus. Muitas perguntas são feitas a Deus na forma de Salmos (Salmos 10, 44, 74, 77).

Esses são o clamor dos perseguidos, os que estão desesperados pela intervenção e salvação divinas. Embora Deus nem sempre responda às nossas orações do jeito que queremos, podemos concluir dessas passagens que uma pergunta sincera de um coração sério e cuidadoso é bem-vinda diante de Deus.

Perguntas não sinceras, ou perguntas feitas de um coração hipócrita, já são um outro assunto. “De fato, sem fé é impossível agradar a Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Depois do Rei Saul desobedecer a Deus, suas perguntas ficaram sem respostas (1 Samuel 28:6).

É completamente diferente desejar saber por que Deus permitiu um certo evento e duvidar da bondade de Deus. Ter perguntas é diferente de questionar a soberania de Deus e atacar o Seu caráter. Em resumo, uma pergunta honesta não é pecado, mas um coração amargo, desconfiado e rebelde sim. Deus não se intimida com nossas perguntas. Deus nos convida a participar de comunhão íntima com Ele. Quando "questionamos a Deus", devemos fazê-lo com um espírito humilde e mente aberta.

Podemos questionar a Deus, mas não devemos esperar uma resposta a menos que estejamos realmente interessados em Sua resposta. Deus conhece nossos corações e sabe se estamos genuinamente buscando dEle algum esclarecimento ou não. A atitude do nosso coração é o que determina se é certo ou errado questionar a Deus.

Ter raiva de Deus é algo com o qual muitas pessoas, crentes e descrentes, têm lutado por muito tempo. Quando algo trágico acontece em nossas vidas, fazemos a pergunta "Por quê?" a Deus por ser essa a nossa resposta natural. O que realmente estamos perguntando, porém, não é necessariamente "Por quê, Deus?", mas "Por que eu, Deus?" Essa resposta indica duas falhas no nosso pensamento. 

Em primeiro lugar, como crentes, muitas vezes operamos sob a impressão de que a vida deva ser fácil e que Deus deva impedir que tragédias aconteçam a nós. Quando Ele permite, ficamos com raiva dEle. Segundo, quando não compreendemos a extensão da soberania de Deus, perdemos a confiança na Sua capacidade de controlar as circunstâncias, outras pessoas e a forma em que nos afetam. Então ficamos com raiva de Deus porque parece que Ele perdeu o controle do universo e especialmente das nossas vidas. 

Quando perdemos a fé na soberania de Deus, isso indica que a nossa frágil natureza humana está lutando com a nossa própria frustração e falta de controle sobre os eventos. Quando coisas boas acontecem, muitas vezes atribuímo-las às nossas próprias realizações e sucesso. Quando coisas ruins acontecem, porém, rapidamente culpamos a Deus, e ficamos com raiva dEle por não preveni-las, o que indica a primeira falha no nosso pensamento -- que merecemos ser imunes de situações desagradáveis.


Tragédias trazem à tona a terrível verdade de que não estamos no comando. Todos pensamos em um momento ou outro quando podemos controlar os resultados de situações, mas na realidade é Deus quem se encarrega de toda a Sua criação. Tudo o que acontece ou é causado ou permitido por Deus. Nem um pardal cai no chão nem um cabelo cai de nossa cabeça sem que Deus o saiba (Mateus 10:29-31). 

Podemos reclamar, ficar com raiva e culpar a Deus pelo que está acontecendo. No entanto, se confiarmos Nele e submetermos a nossa amargura e dor a Ele, reconhecendo o pecado orgulhoso de tentar forçar a nossa vontade à dEle, Ele pode e vai nos conceder a Sua paz e força para passarmos por qualquer situação difícil (1 Coríntios 10:13). Muitos crentes em Jesus Cristo podem atestar esse fato. Podemos ficar com raiva de Deus por muitas razões, por isso todos temos que aceitar em algum ponto que certas coisas não podemos controlar nem compreender com nossa mente finita.


Nosso entendimento da soberania de Deus em todas as circunstâncias deve ser acompanhado de nossa compreensão dos seus outros atributos: Seu amor, misericórdia, benignidade, bondade, justiça, retidão e santidade. Quando vemos nossas dificuldades através da verdade da Palavra de Deus – a qual nos diz que o nosso Deus amoroso e santo faz todas as coisas para o nosso bem (Romanos 8:28), e que Ele tem um plano e propósito perfeito que não pode ser contrariado (Isaías 14:24, 46:9-10) – começamos a enxergar nossos problemas em uma luz diferente. 

Sabemos também pelas Escrituras que esta vida nunca será uma de alegria e felicidade contínuas. Em vez disso, Jó nos lembra: "No entanto o homem nasce para as dificuldades tão certamente como as fagulhas voam para cima" (Jó 5:7), e que a vida é curta e "passa por muitas dificuldades" (Jó 14:1). Só porque nos aproximamos de Cristo para a salvação do pecado não significa que temos a garantia de uma vida livre de problemas. 

De fato, Jesus disse: "Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. Neste mundo vocês terão aflições; contudo, tenham ânimo! Eu venci o mundo" (João 16:33), permitindo-nos ter a paz interior, independente das tempestades ao nosso redor (João 14:27). Uma coisa é certa: raiva inadequada é pecado (Gálatas 5:20, Efésios 4:26-27, 31; Colossenses 3:8). A ira ímpia é auto-destrutiva, dá ao diabo um lugar em nossas vidas e pode destruir a nossa paz e alegria se nos prendermos a ela. Agarrar-se à ira permitirá que a amargura e ressentimento brotem em nossos corações. 

Devemos confessá-la ao Senhor e então, em Seu perdão, podemos liberar esses sentimentos a Ele. Devemos sempre ir diante do Senhor em oração com a nossa dor, raiva e sofrimento. A Bíblia nos diz em 2 Samuel 12:15-23 que Davi aproximou-se do trono da graça a favor do seu bebê doente, jejuando, chorando e orando para que ele sobrevivesse. Quando o bebê morreu, Davi levantou-se, adorou ao Senhor e disse aos seus servos que sabia onde seu bebê estava e que um dia estaria com ele na presença de Deus. 

Davi clamou a Deus durante a doença do bebê, e depois inclinou-se diante dEle em adoração. Isso é um testemunho maravilhoso. Deus conhece nossos corações e é inútil tentar esconder como nos sentimos, portanto, falar com Ele é uma das melhores maneiras de lidar com a nossa dor. Se fizermos isso humildemente, derramando-lhe nosso coração, Ele trabalhará através de nós e, no processo, cresceremos em semelhança com o nosso Criador.


A pergunta principal é esta: podemos confiar tudo a Deus, incluindo nossas próprias vidas e as vidas dos nossos entes queridos? Claro que podemos! O nosso Deus é compassivo, cheio de graça e amor e, como discípulos de Cristo, podemos confiar nEle com todas as coisas. Quando as tragédias acontecem em nossas vidas, sabemos que Deus pode usá-las para nos aproximar Dele e fortalecer a nossa fé, trazendo-nos à maturidade e integridade (Salmo 34:18; Tiago 1:2-4). 

Então poderemos ser um testemunho reconfortante para os outros (2 Coríntios 1:3-5). Entretanto, isso é mais fácil dizer do que fazer, pois exige uma entrega diária da nossa vontade à dEle, um estudo fiel de seus atributos como vistos na Palavra de Deus, muita oração e a aplicação do que aprendemos a nossa própria situação. Ao fazermos isso, nossa fé vai progressivamente crescer e amadurecer, facilitando a nossa confiança nEle quando tivermos que enfrentar a próxima tragédia que certamente ocorrerá.


Assim, para responder à pergunta diretamente, sim, é errado ter raiva de Deus. Essa raiva surge como resultado de uma incapacidade ou relutância em confiar em Deus mesmo quando não entendemos o que Ele está fazendo. Ter raiva de Deus é essencialmente o mesmo que dizer que Ele fez alguma coisa errada, o que nunca é o caso. 

Será que Deus entende quando estamos com raiva, frustrados ou decepcionados com Ele? Sim, Ele conhece nossos corações e sabe quão difícil e dolorosa a vida neste mundo pode ser. Será que isso faz com que seja certo ter raiva de Deus? Absolutamente não. Em vez de estar zangado com Deus, devemos derramar nossos corações a Ele em oração e então confiar que o Senhor está no controle e que Seu plano é perfeito.

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