HISTÓRIA DA LÍNGUA HEBRAICA


Os livros da Bíblia Hebraica foram compostos em hebraico, apenas algumas passagens foram compostas em aramaico. O hebraico encontrado nos livros bíblicos do Tanach não é uniforme e apresenta três estágios distintos.
O trabalho com o texto hebraico bíblico possibilita corrigir interpretações de outras teologias que corromperam seu sentido original e, conseqüentemente, a identidade do texto como um todo.
Exemplo: A maior parte das traduções convencionais opta pelo verbo “pairar” para traduzir o hebraico merahefet. O radical rhf, porém, do qual merahefet é derivado, traz a idéia básica de movimento, deslocamento e vibração, um sentido que o hebraico compartilha com o ugarítico (língua semita ocidental, da mesma família do hebraico). O verbo associado a ruach, vento, sopro, espírito divino, reforça ainda mais a idéia de que a superfície das águas estaria agitada: a presença divina gerando movimento e dinamismo e alterando a natureza informe e estática do caos primordial.

No tópico “História da Língua Hebraica”, optei por fazer um breve “fichamento” das considerações de alguns estudiosos sobre o tema. O objetivo foi elaborar um panorama dos trabalhos realizados e levar as pessoas a ler o trabalho (na íntegra) dos respectivos autores.

A Bíblia Hebraica e a História da Língua Hebraica

Extraído de: MALANGA. Eliana Branco. A Bíblia Hebraica como obra aberta: uma proposta interdisciplinar para uma semiologia bíblica. São Paulo: FFLCH/USP; Associação Editorial Humanitas; FAPESP, 2005. p.76-81.

Originalmente o trabalho de Eliana Malanga foi apresentado como sua tese de doutoramento, no Departamento de Lingüística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade do Estado de São Paulo (USP), em 2002.

A questão da datação dos textos bíblicos se relaciona à história da língua hebraica por duas vertentes: por um lado, as características gramaticais e semânticas dos textos ajudam a datá-los; por outro, os fatos descritos nos textos e os elementos míticos que os compõem, funcionando como indicativos sobre a época provável de sua redação, colaboram para que se estabeleça uma datação da formação e da evolução do idioma hebraico. Quando dizemos que o hebraico bíblico divide-se em três períodos — arcaico, Primeiro Templo e Segundo Templo —, estamos utilizando períodos que têm por base fatos descritos na Bíblia. Mas, quando se afirma que o Livro de Daniel é do século II a.E.C., é a partir do uso intenso do aramaico que se pode estabelecer tal datação.

O tema da datação dos livros da Bíblia Hebraica se refere tanto à formação e à transformação do hebraico antigo como do moderno. Um dos aspectos relevantes no estudo de um discurso poético é a construção de um parâmetro comparativo em relação ao discurso usual. Paralelamente, o conhecimento do contexto histórico e pessoal do autor pode ser útil para entender o processo de construção poética. Embora a poesia hebraica clássica tivesse regras claras, que já foram estudadas pela crítica bíblica, tais como a.repetição (simples, por sinonímia e por antinomia), muitos textos da Bíblia Hebraica que não podem ser formalmente considerados poesia apresentam, do ponto de vista da densidade do significado, uma função poética. A compreensão da “história da redação dos textos” pode ser um útil instrumento para uma leitura mais apropriada destes quando se busca separar o uso poético de outras funções da linguagem. Isso pode evitar armadilhas como as que tantas vezes enganaram os estudiosos da Bíblia, que viam imagens Figuradas em descrições de fatos corriqueiros, como mais tarde se pôde descobrir por meio da arqueologia.
É importante traçar um “elo operacional” entre o estudo das transformações sofridas pela língua hebraica e a abordagem semiológica do estudo da Bíblia. A questão de datação dos textos bíblicos, a partir do estudo de algumas teorias já conhecidas, pode fornecer subsídios para compreender o contexto de sua redação.

É preciso levar em conta que, no que se refere à datação, ainda está longe de um consenso, embora alguns princípios gerais norteadores, como a teoria das fontes, já tenham sido aceitos por quase todos os estudiosos da Bíblia (no âmbito da ciência e da universidade, naturalmente e, em alguns casos, mesmo no âmbito da religião). Apesar dos grandes progressos realizados pelas escavações arqueológicas em Israel e em algumas partes do Oriente Médio nas últimas décadas, há um longo caminho a ser trilhado até que se possa conhecer com maior exatidão quando foram escritos os textos bíblicos. Essa dificuldade é certamente maior em vista das camadas redacionais que a maioria deles possuiu, ou seja, compilamentos e acréscimos posteriores à redação original, e também por causa dos problemas em identificar o autor ou autores de cada livro ou camada redacional. Não obstante, é preciso reconhecer que muito se progrediu, que já não estamos totalmente às escuras e podemos, com alguma precisão, situar as datas de redação dos livros da Bíblia Hebraica.

A pretensão aqui não é a de chegar a posições conclusivas com respeito a datações dos textos bíblicos... [...] Trata-se apenas de um levantamento, ainda que não suficientemente extenso ou profundo, sobre algumas teorias e orientações aceitas pelo mundo científico que permitem uma reflexão sobre a construção histórica dos significados, aspecto fundamental na questão da creleitura da obra aberta.

► Texto hebraico bíblico e a língua hebraica ► Observamos que na Bíblia Hebraica, a língua hebraica sofreu mudanças ao longo de aproximadamente mil anos em que provavelmente foram escritos os livros que dela fazem parte. Os estudos lingüísticos permitiram uma datação mais correta dos livros da Bíblia Hebraica, embora também se continue recorrendo à pesquisa histórica.

► Comentário 2: Trebolle Barrera ► O conceito de “hebraico bíblico” não deixa de ser uma ficção [...]. Os textos bíblicos refletem um milênio inteiro de desenvolvimento lingüístico, pelo que não pode deixar de refletir hebraicos diferentes e de terem incorporado diversos dialetos. As diferenças dialetais entre o hebraico de Judá no Sul e o de Israel no Norte remontam a dialetos cananeus do segundo milênio a.C. (TREBOLLE BARRERA, Julio. A Bíblia judaica e a Bíblia cristã: introdução à história da Bíblia. Trad. Ramiro Mincato. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. p.75).
 
Comentário 3: Malanga (2005:78) observa que essas diferenças dialetais são um dos elementos a que recorre o estudioso na tentativa de realizar a datação dos textos e das camadas redacionais. Contudo, o material também pode levar a enganos na tradução e na interpretação dos textos em razão da mudança de sentido que o vocábulo tenha sofrido ao longo do tempo.


Hebraico Bíblico (MALANGA)[1]
Períodos
Características
Textos
Arcaico
Primeira camada na qual o léxico apresenta maior proximidade com as línguas vizinhas.
Presente na Torá por meio de poemas e cânticos de redação anterior ao texto bíblico.
Pré-exílico
ou clássico
O hebraico do período clássico serviu de modelo da língua pura e perfeita.
É uma língua rica em termos concretos e pobre em termos abstratos e adjetivos.
Possui grande riqueza de sinônimos para as idéias mais importantes, os quais não são sinônimos perfeitos, mas representam sutilezas de expressão, o que é importante para a poesia e para o estilo do hebraico, baseados na repetição.
Os livros atribuídos a esse período têm grande grau de homogeneidade lingüística, com apenas 500 radicais hebraicos, mas ocorrem 2 mil casos de hapax legomena, ou seja, de palavras que aparecem uma única vez, o que dificulta a tradução.
Abrange a maior parte da Bíblia Hebraica.
No período clássico foi escrita a maior parte da Torá e, de acordo com alguns estudiosos, quando do retorno dos exilados e da construção do Segundo Templo, apenas teria sido feita a fusão das fontes.
Os livros históricos de Samuel e Reis pertencem a esse período.
Observação 1: Como os mesmos relatos de Samuel e Reis são repetidos nos livros de Crônicas, que são do período pós-exílico, foi possível estudar comparativamente ambos os textos para descobrir diferenças de língua e de estilo.
Observação 2: A maior parte dos livros dos profetas também foi escrita no período do Primeiro Templo: Amós e Oséias (século VIII a.E.C.); Isaías de 1-39 e Miquéias (século VII a.E.C.); Jeremias e Habacuc (século VI a.E.C.). Também do século VI a.E.C. seria o Livro das Lamentações.
Pós-exílico
ou do
Segundo Templo
O hebraico pós-exílico apresenta uma maior influência do aramaico, graças a um maior contato com essa língua, sobretudo para aqueles que tinham ficado em Judá, justamente a população menos culta.
O hebraico do período tem uma maior aproximidade com o hebraico mishnaico, a fase posterior da história do idioma hebraico.
Observação 1: Anterior ao exílio já havia um contato com os povos de fala aramaica no norte e no nordeste.
Em 721 a.E.C. o reino do norte foi subjugado pelos assírios, a população israelita da Samaria foi em parte substituída por uma população de língua aramaica, colocando o hebraico em constante contato com esta.
Observação 2: Após a restauração, no período do Segundo Templo, o hebraico permanece em constante contato com o aramaico: a) os vizinhos ao norte da Judéia; b) o aramaico tornou-se a língua oficial administrativa do Império Persa para todo o Crescente Fértil que faz parte dos seus domínios de 538 a 533 a.E.C.


[1] Adaptado de: MALANGA. Eliana Branco. A Bíblia Hebraica como obra aberta: uma proposta interdisciplinar para uma semiologia bíblica. São Paulo: FFLCH/USP; Associação Editorial Humanitas; FAPESP, 2005. p.79-81.


Hebraico Bíblico (AUTH)[1]
Períodos
Características – Contexto Histórico
1ª fase
aproximadamente do ano 1000 até
o ano 100 a.E.C.
As palavras eram escritas só com as consoantes. E estas não eram escritas do mesmo jeito em todos os lugares. Depois do exílio da Babilônia, por volta do ano 538 a.E.C., a escrita das consoantes começou a tomar a forma quadrada, como é até hoje no hebraico bíblico.
2ª fase
do ano 100 a.E.C.
ao ano 500 E.C.
Nesse período é fixada uma forma única de escrever as consoantes.
3ª fase
do ano 500 ao
ano 900 E.C.
Nesse período, a língua chega a adquirir sua estabilidade com o acréscimo e fixação das vogais, O trabalho de unificar as consoantes e acrescentar as vogais foi definitivamente sistematizado no século IX E.C. por um grupo de judeus de Tiberíades, estudiosos da Bíblia, chamados de massoretas, que colocavam por escrito todas as tradições orais que diziam respeito ao texto bíblico e, em particular, ao modo de lê-lo e escrevê-lo.


[1] Adaptado de: AUTH, Romi. Bíblia, comunicação entre Deus e o povo. São Paulo: Paulinas, 2001. p.22-23. (Bíblia em comunidade, 1). 




Hebraico Bíblico (TREBOLLE BARRERA)[1]
Trebolle Barrera (1995:8-9) mostra a necessidade dos estudos bíblicos de construir pontes entre os diversos campos de estudo. O estudo da Bíblia exige o trabalho conjunto de epigrafistas e paleógrafos por um lado, e de historiadores da religião bíblica, do pensamento judaico e do pensamento cristão por outro. Muitas são as questões que exigem atualmente um tratamento interdisciplinar.
Histórico: As descobertas modernas resgataram outras línguas semíticas com os quais o hebraico está aparentado (acádico, ugarítico, fenício, etc.), assim omo línguas não semíticas, que de alguma forma influíram no hebraico e no aramaico.
Segundo Trebolle Barrera (1995:9), no terreno lingüístico a Bíblia trilíngüe exige um novo diálogo e não o velho distanciamento entre hebraístas, helenistas e latinistas. O trilingüísmo hebraico-aramaico-árabe, com o qual conviveram os massoretas, gramáticos e exegetas judeus do Oriente árabe e da Espanha muçulmana, exige não esquecer-se da contribuição do árabe para compreender a tradição gramatical exegética presentes na transmissão textual da Bíblia Hebraica.
A descoberta na época moderna das línguas semíticas do Oriente Antigo originou um novo trilingüísmo representado pelo hebraico/aramaico-ugarítico-acádico, que ajuda a explicar muitas questões mal colocadas ou erroneamente resolvidas no passado com o cooperação unicamente da crítica textual ou do testemunho das versões. Essa nova descoberta lingüística possibilita também situar a literatura e a religião bíblica no seu contexto cultural originário.
Línguas semíticas

O hebraico e o aramaico pertencem à família das línguas semíticas. Estas se dividem em 4 grupos:
Semítico do Sul: inclui o árabe e o etiópico. Anteriormente o árabe era praticamente o único canal de aproximação ao estudo do semitismo antigo. Atualmente, o acádico tomou o lugar do árabe nesta função. Os comentários atuais dos livros bíblicos ignoram muitas referências utéis ao árabe que enchiam os comentários da primeira metade do século.
Semítico do Noroeste: é o cananeu em suas distintas formas: o hebraico, moabita, edomita por uma parte, e ugarítico, fenício e púnico, por outra.
Semítico do Norte: é basicamente o aramaico, subdividido em 2 grupos: o grupo ocidental (o aramaico da Bíblia, dos targumim e da Guemará do Talmud palestinense e ainda o samaritano e o nabateu) e o grupo oriental (o aramaico do Talmud babilônico e o siríaco das traduções bíblicas e dos escritos cristãos e mandeus).
Semítico do Leste: compreende o acádico e suas línguas derivadas, assírio e babilônio.
Observações gerais sobre o hebraico: A língua hebraica é conhecida na Bíblia como a “língua de Canaã” (Is 19,18), e mais freqüentemente como “judaica” (Is 36,11; 2 Cr 32,18). Os grupos de hebreus relacionados com os hapiru, encontrados em Canaã nos finais do século XIII a.E.C., somaram-se outras tribos do futuro Israel ali sediadas desde a Antigüidade. Depois da sedentarização em Canaã, os grupos vindos de fora começaram a falar também o hebraico.
1) Ortografia: Num primeiro período, durante os anos 900-600 a.E.C., a ortografia hebraica, como a fenícia, tendia a representar graficamente somente as consoantes. Ao longo do século XI, os arameus desenvolveram um sistema rudimentar de notação vocálica mediante as denominadas matre lectionis. Este sistema foi utilizado pelos israelitas a partir dos inícios do século IX a.E.C. No período entre os anos 600 e 300 a.E.C. começou-se a usar as matre lectionis para indicar a presença de uma vogal longa, sobretudo ao final de palavras. Com o passar do tempo desenvolveu-se uma tendência a representar inclusive as vogais breves.
2) Sistema de escrita: Até os séculos V-VI E.C., o hebraico não dispunha de um sistema de escritura dotado de vogais. Observa-se um esquecimento crescente da pronúncia exata do texto bíblico. Para evitar esta perda, ao lado da escritura consonântica foi criado um sistema de acentos e de vogais, que são indicados através de pontos e de traços diversos, situados em cima ou embaixo da consoante, depois da qual se pronunciam. Esta estrutura consonântica do hebraico (variações vocálicas dentro de uma mesma raiz estável e o sistema de escritura que utliza unicamente signos de valor consonântico) permitem mudanças fonéticas e gráficas (significantes) que ocasionam mudanças de significado. Isto permite uma duplicidade de sentidos em numerosos textos legais ou narrativos.
3) Raiz triconconantal: A característica mais particular da estrutura lingüística do hebraico e das línguas semíticas em geral é a composição triliteral das raízes, muitas das quais eram no início biconsonantais. Verbos e substantivos que se referem a um mesmo núcleo de significado derivam de uma mesma raiz. Dificulade de identificar a raiz de uma forma verbal. O texto bíblico apresenta algumas vezes duas leituras variantes, ocasionadas pela diferente identificação da raiz verbal.
4) Tempos verbais: Os tempos dos verbos, denominados de perfeito e imperfeito, não designam o tempo da ação (passado, presente e futuro), mas o caráter concluso (perfeito) ou inconcluso (imperfeito) da mesma. O leitor deverá deduzir do contexto se o verbo refere-se a tempo passado, presente ou futuro. A poesia hebraica pode servir-se indistintamente do perfeito e do imperfeito, justapondo-os pelo único prazer do paralelismo. Um judeu da época pós-exílica podia surpreender-ser tanto quanto um tradutor atual ao ver utilizadas num mesmo verso duas formas verbais que significam aspectos diferentes. O paralelismo poético pode jogar também com variantes na conjugação. Tais procedimentos poéticos podiam dar ocasião a variantes textuais. Por isso, é necessário muito cuidado para não corrigir os textos poéticos conforme os critérios gramaticais de épocas tardias.[2]
5) Indicação de caráter gramatical: Os primeiros escribas judeus podem ter deixado no texto indicações de caráter gramatical que não devem ser confundidas com o próprio texto bíblico. Exemplo: Na expressão do Sl 61,8b “Graça e lealdade (+ mn) o protegerão”, as consoantes mn não aparecem em alguns testemunhos do texto nem se encontram na passagem similar de Pr 20,28, pelo que resulta tentadora a proposta de sumprimi-las (cf. BHS – Bíblia Hebraica Stuttgartensia). Trata-se de uma indicação intorduzida pelo escriba: mn é uma abreviatura de male´ nûn (“plene nun”), pela qual se adverte que o nûn do verbo no tempo futuro, que segue imediatamente, não se elide[3], mas que há de escrever-se em sílaba fechada não acentuada. Estas duas consoantes não devem ser consideradas, portanto, como a partícula hebraica min (“de,” “desde”) nem como o pronome aramaico interrogativo man (“quem”).
6) Terminações específicas: Em suas origens, o hebraico dispunha de terminações específicas para indicar o caso dos nomes. O mesmo ocorreu na evolução das línguas românicas a partir do latim. Os casos terminaram desaparecendo e as relações de dependência começam a ser expressas através da ordem das palavras e mediante à utilização de partículas. Para expressar o genitivo o hebraico dispõe da forma chamada “construta”. A perda dos casos no hebraico determinou uma mudança de língua sintética para língua analítica. Esta passagem todavia não está completa pois o hebraico ainda conserva o estado construto.
7) Adjetivos: O hebraico é uma língua relativamente pobre em adjetivos. Carece também de formas específicas para expressar o comparativo e o superlativo. Em seu lugar faz uso da forma do construto ou de outro tipo de expressão.
8) Sintaxe: A sintaxe[4] hebraica prefere a parataxe à completa subordinação de frases (hipotaxe), característica do grego e do latim.[5]
9) Formas arcaicas: Os textos poéticos conservam freqüentemente formas arcaicas. Exemplo: o uso do imperfeito yiqtol para expressar o tempo passado, no lugar das formas qatal ou waw-yiqtol. O Sl 78 apresenta vários exemplos de uso poético característicos dos poemas de Ugarit. Igualmente poemas arcaizantes como o Sl 68 mostram a tendência a prenscindir do artigo definido ha (n)-, introduzido e generalizado após 1200 a.E.C.
10) Lexicografia: Ocorrência de muitos empréstimos tomados das línguas dos povos com os quais os israelitas tiveram contato ao longo do primeiro milênio a.E.C. As variantes léxicas podem dar lugar a variantes textuais. O hebraico tomou do semítico oriental numerosos termos.Os empréstimos das línguas não semíticas oferecem um interesse particular.
11) Lingüística comparada: A lingüística comparada pode esclarecer termos ou passagens obscuras do Texto Hebraico Bíblico (Antigo Testamento) com palavras ou expressões análogas em outras líguas semíticas. As fontes acádicas sempre se sobressaíram neste tipo de estudos. O descobrimento dos textos de Ugarit em 1929 orientou os estudos até o marco geográfico e cultural cananeu, habitat natural da língua e da literatura bíblica. Textos ugaríticos paralelos aos textos bíblicos permitem reconstruir a forma e o significado primitivos de palavras hebraicas mal copiadas ou mal interpretadas na tradição manuscrita.[6] Isto permite propor novas e melhores traduções de numerosas passagens do AT.
12) Hebraico Bíblico 1: O conceito de “hebraico bíblico” não deixa de ser uma ficção, como o é também o de “texto bíblico” ou, inclusive, o de “texto massorético” (Cf. Trebolle Barrera, 1995:322). Os textos bíblicos refletem um milênio inteiro de desenvolvimento lingüístico, pelo que não pode deixar de refletir hebraicos diferentes e de terem incorporado diversos dialetos. (Cf. Trebolle Barrera, 1995:75.)
13) Hebraico Bíblico 2: Coleções de livros bíblicos: a formação, a transmissão, tradução e interpretação do textos dos mesmos, deu-se ao longo dos séculos, o que corresponde ao uso do hebraico bíblico tardio e ao hebraico de Qumrã. O hebraico clássico e o pós-bíblico coexistiram por algum tempo. A obra do Cronista e dos livros do Eclesiastes e Ester mostram a evolução da língua nos períodos persa e grego. A forma do pronome anokhi “eu”, é substituída com freqüência pela de ani, e a forma do pronome relativo asher por –she. No hebraico pós-bíblico, o sistema do vav consecutivo começa também a decompor-se. As inovações léxicas do hebraico pós-bíblico são em geral, embora não sempre, empréstimos do aramaico.
14) Hebraico Bíblico 3: Ao longo dos períodos helenístico e romano, o hebraico bíblico, o clássico, sobreviveu não só como língua falada senão também como língua escrita, inclusive fora do âmbito da sinagoga.
15) Hebraico Bíblico 4: A gramática, o léxico e o estilo literário do hebraico mishnaico repousam sobre a base de um hebraico coloquial cujo uso sobreviveu durante esta época, embora não estivesse generalizado. O hebraico mishnaico se inscreve na evoluçãolingüística da língua hebraica bíblica com características próprias. O hebraico mishnaico contém alguns elementos genuinamente semíticos, que não se encontram no hebraico bíblico e carece, ao contrário, de outros comuns ao hebraico bíblico e ao aramaico. Características do hebraico mishnaico: a substituição definitva do relativo asher por –she, a forma shel do genitivo, o uso restrito do “estado construto”, o desaparecimento do sistema do vav consecutivo, maior freqüência do uso do particípio, convertido praticamente ao tempo presente.

[1] Adaptado de: TREBOLLE BARRERA, Julio. A Bíblia judaica e a Bíblia cristã: introdução à história da Bíblia. Trad. Ramiro Mincato. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995. p.67-79.
[2] Ver o estudo de: BARCO, Francisco Javier del. Temporalidad, aspecto, modo de acción y contexto en el verbo hebreo bíblico. IN: Revista MEAH (Miscelánea de Estudios Árabes y Hebraicos). Sección Hebreo. 2003. v 2, p.3-286. ISSN: 0544-408X
Disponível em:
<http://www.ugr.es/~estsemi/hebreo/hebmeah52.htm>.
[3] Elidir: fazer elisão de; suprimir. / Elisão: eliminação, supressão; supressão da vogal átona final duma palavra, quando a seguinte principia por vogal (exemplo dalgo = de algo).
[4] Parte da gramática que estuda a disposição das palavras na frase e das frases no discurso.
[5] Veja o estudo sobre o classicismo bíblico de TREBOLLE BARRERA, J. (1995) p.162-165.
[6] Veja o estudo de: PIQUER OTERO, Andrés. Estudios de sintaxis verbal en textos ugaríticos poéticos. Tese de Doutorado. Madri, Espanha: Departamento de Estudios Hebreos y Arameos da Facultad de Filologia/ Universidad Complutense de Madrid, 2004.
Disponível nos links:
<http://www.ucm.es/eprints/4653/> e
<http://www.ucm.es/BUCM/tesis/fll/ucm-t26689.pdf.>.

Hebraico Bíblico (FRANCISCO)[1]

Todos os períodos históricos do hebraico demonstram uma evolução contínua e às vezes profunda em sua estrutura Iingüística.
A Bíblia Hebraica foi composta entre o século XII e II a.E.C. e seus livros refletem mais de um estágio na evolução da língua hebraica durante o período bíblico. Percebe-se também mais de um dialeto empregado em seus textos (o dialeto de Judá e o de Israel).
O vocabulário da Bíblia Hebraica é relativamente limitado compreendendo um pouco mais de 8.000 vocábulos, dos quais 2.000 são palavras ou expressões que ocorrem uma única vez ao longo do texto da Bíblia Hebraica (esses casos são denominados de hapax legomena). Os estudos realizados sobre os hapax legomena no texto hebraico bíblico apontam que a maior concentração deles se encontra nos livros (em ordem de quantidade): Jó, Ct, Is, Pr, Na, Lm e Hab. Os livros que apresentam um menor registro de hapax legomena são (em ordem de quantidade): 1 e 2 Cr, 1 e 2 Rs, Js, Ex e 1 e 2 Sm.
Os hapax legomena podem ser divididos em dois grupos: os hapax parciais (palavras que são únicas em uma determinada forma, mas em outros textos a mesma ocorre com alguma diferenciação, como artigo, preposição, plural, conjunção) e os hapax absolutos (a palavra não possui uma outra forma similar em todo o texto bíblico, constituindo assim, uma forma totalmente única).

Período Hebraico Arcaico
(séc. XIII a X a.E.C.)
Características
A poesia hebraica arcaica possui muitos elementos próprios, como o uso de determinados verbos e um vocabulário típico do hebraico nos séculos XII a X a.E.C.
Uma grande parte do vocabulário é constituída de palavras raras e arcaicas e além disso, aparecem uma única vez, no texto bíblico (hapax legomena).
Os textos em hebraico arcaico demonstram também que havia uma diferença entre a linguagem literária e entre a linguagem falada no cotidiano pelo povo israelita.
Textos
Gn 49, Ex 15, Nm 23 e 24, Dt 32 e 33, Jz 5, Sl 18, Sl 68
Os textos de Ex 15 e Jz 5 (o Cântico de Débora) datam do século XII a.E.C.
Os textos de Sl 18 e Sl 68 surgiram provavelmente na época da Monarquia Unida, em Israel (século XI e X a.E.C.).
Todos os textos poéticos, transmitidos oralmente de geração em geração, foram posteriormente colocados por escrito.
O primeiro texto bíblico a ser composto foi Jz 5 ( o Cântico de Débora), escrito provavelmente por volta de 1125 a.E.C. logo após os fatos ali relatados.
Os textos poéticos compostos na antiga forma do hebraico bíblico são de procedência do reino do Norte (Israel) e apresentam influência de povos vizinhos e de suas literaturas.

Hebraico Pré-Exílico ou Hebraico Clássico
(séc. X a VI a.E.C.)
Características
A linguagem do hebraico pré-exílico assinala o auge de desenvolvimento da língua hebraica no período bíblico e coincide com o apogeu da vida política, social, cultural, espiritual e econômica do povo israelita desde a sua entrada na Palestina ocorrida no século XIII a.E.C.
O hebraico pré-exílico alcançou uma elevada perfeição de linguagem e de composição que serviu de modelo para os outros estágios posteriores do hebraico, como o hebraico póséxílico e o hebraico de Qumran.
Alguns estudiosos debatem até que ponto a linguagem dos livros bíblicos pré-exílicos refletia o falar cotidiano do povo israelita. Provavelmente a linguagem do hebraico pré-exílico era uma forma de composição literária típica dos escribas da corte, os quais padronizaram e fixaram as regras de uma literatura em língua culta e acabaram por desenvolver uma linguagem oficial.
A linguagem do hebraico pré-exílico reflete o dialeto próprio de Jerusalém e arredores, mas alguns livros como o de Oséias e o de Amós refletem o dialeto falado no Reino do Norte (Israel) que conservou a linguagem da época da Monarquia Unida sob Davi e Salomão (séc.XI e X a.E.C.). Contudo, a linguagem predominante nos livros bíblicos escritos antes do Exílio da Babilônia é a de Jerusalém.
O hebraico pré-exílico tinha se tornado uma linguagem unificada e padronizada já na época de Salomão (961-922 a.E.C.) e fora criada provavelmente na capital, Jerusalém. Tal linguagem também era utilizada pelos sacerdotes do Templo de Jerusalém e pelos escribas profissionais da corte e como tal, conservava rigidamente o padrão literário e mantinha distância da língua falada.
A estrutura consonantal dos textos bíblicos compostos no período pré-exílico é satisfatoriamente preservada pela tradição manuscrita. Em relação à vocalização, observa-se consideráveis diferenças entre a pronúncia do hebraico desse período e entre aquela fixada pelos massoretas 15 séculos mais tarde. O sistema de vocalização massorética reflete o ponto-de-vista dos próprios massoretas e em seu sistema encontra-se evidente influência do aramaico e de uma desmedida reconstrução subjetiva.
Textos
Pentateuco, Js, Jz, 1 e 2 Sm, 1 e 2Rs, Is (cap. 1 a 39), Jr, Ez, Am, Os, Mq, Na, Hab, Sf, Sl 2, Sl 3, Sl 6, Sl 11, Sl 15, Sl 20, Sl 21, Sl 24, Sl 27, Sl 28, Sl 30, Sl 31, Sl 42, Sl 43, Sl 44, Sl 45, Sl 56, Sl 57, Sl 59, Sl 61, Sl 63, Sl 78, Sl 80, Sl 82, Sl 89, Sl 101, Sl 109, Sl 110, Sl 132 e Sl 144
Uma boa parte dos livros da Bíblia Hebraica foram compostos no período que antecede o Exílio da Babilônia ocorrido a partir de 586 a.E.C. e tal época compreende o século X ao VI a.E.C., isto é, entre a época da Monarquia Unida (séc.X a.E.C.) e entre a Queda do Reino de Judá (séc.VI a.E.C.).
Essa época marca o início da composição sistemática dos livros bíblicos, os quais refletem a tradição e a experiência religiosa do povo de Israel com a fé monoteísta, como as tradições históricas relacionadas ao período patriarcal, ao Êxodo, à conquista de Canaã, à época dos juízes e à epoca da monarquia.

Hebraico Pós-Exílico ou Hebraico Tardio
(séc.
VI a.E.C. a II a.E.C.)
Características
Depois do Exílio da Babilônia a língua hebraica sofreu modificações em sua estrutura lingüística e os livros que foram escritos na época exílica e pós-exílica refletem um novo estágio. Alguns estudiosos afirmam que o hebraico pós-exílico é a língua da maioria dos livros bíblicos.
No período do Exílio e em época posterior, os judeus começaram a falar o aramaico em suas relações com seus dominadores e com as nações vizinhas. O aramaico era uma língua semítica muito próxima ao hebraico e na época do domínio assírio (período recente, séc. IX-VII a.E.C.), neobabilônico (séc. VII-VI a.E.C.) e persa (séc. VI-IV a.E.C.) tinha se tornado o idioma internacional do comércio e das relações diplomáticas. Uma boa parte do Oriente Médio dessa época falava a língua aramaica como a Síria, a Babilônia e a Assíria.
Quando os judeus retornaram do Exílio na Babilônia, na mesma época em que ocorreram as atividades de Esdras, Neemias e dos profetas Ageu e de Zacarias, o aramaico tinha se tornado uma língua comum de comunicação entre os exilados judeus e além dessa língua, também uma forma popular do hebraico que séculos mais tarde se tornaria o hebraico rabínico ou hebraico talmúdico.
Na época do domínio babilônico e persa, o hebraico não tinha desaparecido como idioma falado no cotidiano pelos judeus. Exemplo: vários livros da Bíblia Hebraica compostos após o Exílio Babilônico e outros documentos desse período em diante, como as cartas de Bar Kokhba (132-135 E.C.), os comentários rabínicos como os de Hille e os de Shammai (séc. I a.E.C., os escritos da comunidade de Qumran, entre outros. Provavelmente na região sul da Palestina conhecida como Judéia era muito comum o uso do hebraico nas relações diárias entre os judeus, enquanto na Galiléia e na Samaria era mais utilizado o aramaico.
Uma das características do hebraico pós-exílico é a evidente influência do aramaico, da linguagem popular hebraica e o uso de alguns elementos do hebraico pré-exílico na composição dos livros bíblicos pós-exílicos.
Encontramos abundantes aramaísmos nos livros de Esdras, Neemias, Daniel, Jô, Crônicas, Ester, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Os livros de Rute, Lamentações e um bom número de salmos, de escritos proféticos e de escritos sapienciais não foram afetados pelo aramaico. Além do vocabulário, o aramaico também influenciou a sintaxe e a morfologia do hebraico pós-exílico.
Durante o período pós-exílico, o hebraico pré-exílico continuou a ser usado como modelo e como inspiração literária para os escritores bíblicos desse período, como pode-se constatar em determinados textos bíblicos, como Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Daniel, vários salmos, entre outros textos.
Alguns estudiosos constataram que os autores dos livros bíblicos mencionados e dos textos de Qumran tentaram imitar o estilo e usar o vocabulário do hebraico como encontrado no texto da Torá (Pentateuco).
Textos
Esd, Ne, 1 e 2Cr, Is 40-66, Ag, Zc, Ab, Ml, Jn, Jl, Jó, Pr, Rt, Lm, Ct, Dn, Est, Ecl, Sl 1, Sl 6, Sl 8, Sl 9, Sl 10, Sl 12, Sl 14, Sl 16, Sl 22, Sl 23, Sl 25, Sl 26 , Sl 32, Sl 33, Sl 34, Sl 36, Sl 37, Sl 38, Sl 40, Sl 41, Sl 46, Sl 47, Sl 48, Sl 49, Sl 50, Sl 51, Sl 52, Sl 55, Sl 58, Sl 62, Sl 65, Sl 66, Sl 67, Sl 69, Sl 71, Sl 73, Sl 75, Sl 76, Sl 79, Sl 83, Sl 84, Sl 85, Sl 86, Sl 87, Sl 88, Sl 90, Sl 91, Sl 92, Sl 93, Sl 94, Sl 95, Sl 96, Sl 97, Sl 98, Sl 99, Sl 100, Sl 102, Sl 103, Sl 104, Sl 105, Sl 106, Sl 107, Sl 108, Sl 111, Sl 112, Sl 113, Sl 114, Sl 115, Sl 116, Sl 117, Sl 118, Sl 119, Sl 121, Sl 122, Sl 123, Sl 124, Sl 125, Sl 126, Sl 127, Sl 128, Sl 129, Sl 130, Sl 131, Sl 132, Sl 133, Sl 135, Sl 136, Sl 137, Sl 138, Sl 140, Sl 141, Sl 143, Sl 145, Sl 146, Sl 147, Sl 148, Sl 149 e Sl 150
Os livros das Crônicas de todos os livros bíblicos pós-exílicos demonstram como era o hebraico pós-exílico e seus traços diferenciais em relação ao hebraico pré-exílico Uma das características dos livros das Crônicas, como de outros livros pós-exílicos, é o constante uso de grafias plenas e das matres lectionis e a substituição de formas arcaicas por outras mais novas.
No livro de Cântico dos Cânticos constata-se pela primeira vez o emprego da linguagem popular em um escrito literário. Ocorre ainda o uso constante de palavras estrangeiras.
No livro de Eclesiastes há palavras compostas com o sufixo aramaico ōn.



[1] Adaptado de: FRANCISCO, Edson de Faria. Características da língua hebraica: Hebraico Arcaico, Hebraico Pré e Pós-Exílico, Hebraico de Qumran e Hebraico Massorético. IN: Estudos de Religião 21. Práxis Religiosas e Religião. Ano XV, Número 21, dezembro de 2001, São Bernardo do Campo, São Paulo: UMESP. p.165-195.


Hebraico Bíblico (BEREZIN)[1]Período Bíblico
(de 1200 até aproximadamente 130 a.E.C.)
Histórico: O hebraico pertence ao ramo das línguas semíticas. Quando os Patriarcas hebreus chegaram a Canaã (por volta do século XII a.E.C.), encontraram uma terra onde predominava o idioma canaanita, que se aproximava da língua falada pelos fenícios.
As Cartas de Tel-El-Amarna, datadas de época anterior à conquista da terra de Canaã pelos hebreus, constituem uma fonte muito importante para a pesquisa da pré-história da língua hebraica. Trata-se de uma correspondência de centenas de cartas, trocadas entre os faraós e os monarcas cananeus, no período que medeia entre 1450 e 1360 a.E.C.. Essas cartas, encontradas em Tel-El-Amarna, fornecem ampla informação sobre a cultura, a língua e a literatura da época. Escritas em acádio, língua internacional naquela região, fácil se tornou decifrá-las, graças à colaboração, não intencional, dos escribas da época. Estes, talvez por insegurança, ao traduzirem as palavras para o acádio, anotavam, à margem, palavras em canaanita. Tão abundantes são essas anotações, que é possível reconstituir, com base nelas, o verbo canaanita da época. Essa língua canaanita não é propriamente o hebraico, mas uma forma muita antiga e próxima dele. Contém muitas propriedades que desapareceram no decorrer do tempo e outras que comprovam ser o hebraico um desenvolvimento ou uma continuação da língua de Tel-El-Amarna. Isso suscita a questão da origem do hebraico sobre a qual divergem as teorias.
Documentação: A fonte mais antiga do hebraico clássico em nosso poder (não levando em conta alguns recentes achados arqueológicos) é a Bíblia. Do ponto de vista científico, existem divergências quanto ao início exato do período bíblico, mas, quanto ao seu término, é amplamente aceita a data aproximada do século II a.E.C.. Tanto o conteúdo como a linguagem das Escrituras são variados. Nota-se a diferença entre os relatos em prosa, os cantos e poemas e a linguagem dos profetas. Do ponto de vista cronológico, há uma grande distância entre a linguagem dos primeiros livros e dos livros finais. Até os mesmos relatos são apresentados, em linguagem diferente, no livro de Juizes e nos das Crônicas. Há, ainda, uma pequena parte escrita em aramaico (livro de Daniel e parte do livro de Esdras). A diferença entre as diversas partes da Bíblia manifesta-se no vocabulário, nas estruturas gramaticais e sintáticas. Entretanto, não há um critério objetivo para estabelecer, com precisão, a data da elaboração dos livros bíblicos.
Hebraico Bíblico
Características
Textos
Hebraico
Bíblico Arcaico
Trata-se de remanescentes antigos, datando do período da Conquista, que constituem uma amostra da linguagem épica dos primeiros colonizadores. Essa linguagem sofre influência do aramaico e do ugarítico que supõe-se que tenha predominado no norte de Canaã.
Aparece na poesia bíblica antiga como: Canção de Débora (Jz 5), Haazinu (Dt 2,43), Canção do Mar (Ex 15,1-9).
Linguagem do período do Primeiro Templo
(desde cerca de 1055 até 586 a.E.C.)
O período do Primeiro Templo termina com o exílio da Babilônia (586 a.E.C.), quando os portadores da cultura hebraica foram exilados, permanecendo na Judéia apenas as pessoas de classe mais humilde.
A prosa bíblica, como aparece, principalmente, nos relatos do Pentateuco e nos livros dos Primeiros Profetas (Josué, Juizes, Samuel e Reis).
Hebraico Bíblico
Posterior
Na época do Segundo Templo (536 a.E.C. a 70 E.C.), o povo começa a falar aramaico e hebraico sendo que, a partir de então, o aramaico vai acompanhando de perto o hebraico. Essa ligação iniciou-se no exílio babilônico. O aramaico é uma língua muito próxima do hebraico e do grupo das línguas canaanitas.
No período do Segundo Templo, o hebraico era falado somente na Judéia e nas demais regiões falava-se o aramaico e o grego.
O hebraico constituía a língua sagrada e era usada sempre para fins religiosos.
Encontrado, principalmente, nos livros do Segundo Templo, como os de Crônicas, Neemias, Eclesiastes, Ester e os de alguns profetas, como Ezequiel, Esdras e Daniel; os dois últimos, escritos em grande parte, em aramaico.
No livro de 2 Reis 18,19, a língua aramaica já é mencionada no diálogo com um alto funcionário assírio, Rabsaqué. Na Babilônia, nessa época, predominava o aramaico; portanto, os exilados não encontraram mais o acádio como língua falada.
No livro de Ezequiel, observa-se a influência aramaica tanto no vocabulário como no estilo, se bem que se trata de um aramaico ainda com traços acádios.


[1] Adaptado de: BEREZIN, Rifka. As origens do léxico do hebraico moderno. São Paulo: EDUSP, 1980. p.13-30.



Por: Língua Hebraica.blogspot


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