A SANTIDADE DE DEUS E A EXISTÊNCIA DO INFERNO


Uma das grandes questões que encara a igreja atualmente diz respeito à existência e natureza do inferno.  O inferno está sob ataque, de fora da igreja e de dentro. A questão que cada um de nós deve responder é esta: O inferno existe? Ele é, como os cristãos têm declarado há tempos, um lugar de eterna e consciente punição, um lugar real para o qual pessoas reais irão por um tempo real e encararão a  real ira de um real Deus?

Tal pergunta pode ser um pouco enganosa. Perguntar se o inferno existe não é realmente uma pergunta sobre um lugar, como quando você pergunta “a cidade de Filadélfia realmente existe?” ou “realmente havia uma cidade chamada Jericó?”. Não é uma pergunta de geografia mundial, mas de caráter divino. A questão do inferno é primeiramente e principalmente uma questão sobre o caráter de Deus. Eis a questão: Se existe inferno, sabemos que ele não pode existir fora do conhecimento e da vontade de Deus. 

Se Deus é quem diz ser, se Ele é onisciente e todo-poderoso, logo as pessoas não podem estar fora de seus decretos. Portanto, toda pergunta sobre a existência do inferno é, na verdade, uma pergunta sobre o próprio Deus. Em uma breve série de artigos, quero explorar a relação da santidade de Deus com o pecado do homem e fazer essa pergunta: o que acontece quando o pecado humano colide com a santidade de Deus? Eu precisarei pressupor que você tem algum entendimento da santidade de Deus e que você sabe que a santidade de Deus é um de seus mais fundamentais atributos. 

A santidade de Deus é a Sua qualidade de ser separado, completamente diferente de qualquer coisa ou qualquer pessoa. Sua santidade perpassa tudo o que Ele é e tudo o que Ele faz. Há a percepção de que Sua santidade modifica seus outros atributos, tanto que Seu amor é um amor santo e Sua justiça é uma justiça santa. De certa forma, todo pecado é uma violação da santidade de Deus. Deus nos diz “sejam santos como Eu sou santo”. Fomos criados à imagem do santo Deus; fomos criados como seres santos. Porém, com todo pecado escolhemos a profanação no lugar da santidade, escolhemos o nosso caminho, em vez do caminho de Deus. 

Em cada pecado, esclarecemos a santidade de Deus, esclarecemos o fato de que somos feitos à imagem de Deus e devemos ser como Ele. Todo pecado é uma declaração a Deus que diz: “Eu escolho não ser santo; Eu escolho não agir à sua imagem; Eu escolho o meu caminho, em vez do seu caminho!”. Sendo assim, qual é a maneira santa para o Deus santo agir diante de tal pecado? A Bíblia nos mostra que Deus pode responder de duas formas – Ele responde com paciente misericórdia ou Ele responde com justa ira.


Quero ir à Bíblia para mostrar que nós adoramos um Deus de misericórdia e de ira – um Deus que é digno de louvor por Sua misericórdia e Sua ira. De fato, o único Deus que é digno de nossa adoração é o Deus que sustém não somente a esperança do céu, mas também o horror do inferno. Eis como eu dividirei isso: Primeiro veremos que algumas vezes o santo Deus reage ao nosso pecado com ira justa.

Depois veremos que algumas vezes o santo Deus reage ao nosso pecado com paciente misericórdia. Então, para concluir, olharemos para o lugar onde ira e misericórdia se encontram. O que veremos, conforme olharmos profundamente o caráter de Deus quando o mesmo entra em contato com o pecado, é que há uma inexorável conexão entre a santidade de Deus e a existência do inferno. Veremos que o inferno existe porque Deus é santo – e que o inferno deve existir porque Deus é santo.


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